A partir de uma mensagem recebida, a autora decide escrever em fluxo de consciência, sobre os sentimentos ambíguos que aquele texto lhe causara. Assim, a escrita ora preenche ora esvazia ora extravasa ora acalma. O dia a dia se mistura e se organiza em linha do tempo contada em quatro atos. Ou em alguns domingos.
“Adoro coentro. Todo prato fica melhor com coentro. Mas sei, está longe de ser unanimidade. Domina o prato, deve ser bem dosado. Ao mesmo tempo, ao comprar coentro, fico triste. É colhido sempre com sua raiz. Não se perpetua. Para consumi-lo você o arranca pela raiz. Quando o consumo não mata é muito mais palatável. Cultivar sem aniquilar a fonte torna-se uma troca. Consumir... nem sempre tão simples. Tenho culturas que cultivei por desejar seus frutos, que saciam pela beleza própria, mas que ao consumir não seriam tão doces. Seriam os “frutos de Schrödinger”. Talvez eu abrace minha covardia ao me contentar em apreciá-los e, por tal, me dar por satisfeito.”
Assim começava a mensagem de ambiguidades, do tudo ou nada com alguma coisa, que pesava e beijava minhas escápulas. Decidi que escreveria para desatar nosso nó górdio. Para saber se um corte de espada imediato era uma solução simples ou uma solução apressada ao matar pela raiz algo mágico. Para enxergar se era só o caso de SER paciência em cultivar, sentir jardim germinar e viver pequenas mortes a cada encontro.
Mais detalhes:
Formato: 15x21, 126 páginas, brochura, papel soft pólen
Arte Capa: Arthur Grangeia
Capista: Sandra M. Borges
Revisão: Valdíria Thorstenberg